Agrotóxicos e agronegócio: arcaico e moderno se fundem no campo brasileiro – Larissa Mies Bombardi

latuff_agrotoxico_mata    O Brasil lidera, desde 2009, o consumo mundial de agrotóxicos e, atualmente, o país responde – sozinho – pelo consumo de 1/5 de todo o agrotóxico produzido no mundo. A envergadura do problema é tal que no período de 1999 a 2009, segundo o Sinitox (Sistema Nacional de Informações Toxicológicas – FioCruz/Ministério da Saúde) houve 62 mil intoxicações por agrotóxicos de uso agrícola no país; isto significa 5600 intoxicações por ano ou 15,5 por dia ou uma a cada 90 minutos. Neste mesmo período houve 25 mil tentativas de suicídio com uso de agrotóxico, um dado extremamente alarmante, pois significa que tivemos 2300 tentativas de suicídio por ano, ou, uma média de 6 por dia, tendo por “arma” algum tipo de agrotóxico.

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A BARBÁRIE MODERNA DO AGRONEGÓCIO VERSUS A AGRICULTURA CAMPONESA: IMPLICAÇÕES SOCIAIS E AMBIENTAIS – Rodrigo Simão Camacho

O modelo agrário/agrícola nacional, dominado pelo capital nacional e internacional, baseado no latifúndio, na monocultura, no trabalho assalariado e na exportação, traz consequências negativas sociais e ambientais. Por isso, esse modelo representa, contraditoriamente, ao mesmo tempo, a Barbárie e a Modernidade. Neste sentido, a alternativa contrária a esse modelo está na construção de uma reforma agrária que permita a produção da agricultura camponesa e de todos os povos do campo de maneira plena, pois estes mantêm uma relação equilibrada com a natureza, produzem cultura no campo e cumprem um papel importante na produção de alimentos saudáveis para toda a população.

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Modo de apropriação da natureza e territorialidade camponesa: revisitando e ressignificando o conceito de campesinato – Carlos Eduardo Mazzetto

Este artigo destaca a nova relevância do conceito de campesinato, a partir dos dilemas colocados pela questão ambiental às sociedades modernas. Procura resgatar os vários conceitos em questão, a partir dos grandes contrastes entre agricultura familiar e agricultura patronal e entre camponês e fazendeiro, para então diferenciar campesinato de agricultura familiar e colocar o primeiro como o conceito-força capaz de enfrentar, por sua vez, a nova noção que vem reagrupando o patronato rural e articulando mais estreitamente às corporações do sistema agroalimentar: o agronegócio. Essa noção encerra um modo de apropriação da natureza (mercantil) e uma significação do território que é anteposta à territorialidade camponesa – categoria que permite resgatar o debate histórico-conceitual sobre o campesinato, articulando-o à questão socioambiental e à da sustentabilidade que se colocam no século XXI.

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