Modo de apropriação da natureza e territorialidade camponesa: revisitando e ressignificando o conceito de campesinato – Carlos Eduardo Mazzetto

Este artigo destaca a nova relevância do conceito de campesinato, a partir dos dilemas colocados pela questão ambiental às sociedades modernas. Procura resgatar os vários conceitos em questão, a partir dos grandes contrastes entre agricultura familiar e agricultura patronal e entre camponês e fazendeiro, para então diferenciar campesinato de agricultura familiar e colocar o primeiro como o conceito-força capaz de enfrentar, por sua vez, a nova noção que vem reagrupando o patronato rural e articulando mais estreitamente às corporações do sistema agroalimentar: o agronegócio. Essa noção encerra um modo de apropriação da natureza (mercantil) e uma significação do território que é anteposta à territorialidade camponesa – categoria que permite resgatar o debate histórico-conceitual sobre o campesinato, articulando-o à questão socioambiental e à da sustentabilidade que se colocam no século XXI.

Mazzeto Modo de apropriação da natureza e territorialidade camponesa

Gênero, Feminismo e Ditaduras no Cone Sul

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As narrativas sobre os “anos de chumbo” ou os “tempos de ditadura”, nos países do Cone sul: argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai têm sido bastante freqüentes. nos livros, escritos em forma de depoimentos ou coletâneas em sua maioria, são narradas as prisões, as torturas, os exílios, os atos de exceção promovidos pelos governos militares, as organizações armadas, os movimentos de resistência e de direitos humanos. De outro lado também a historiografia tem focalizado ultimamente os movimentos de mulheres e feministas, tanto aqueles chamados de Primeira onda, como os da segunda onda. o que este livro traz como novidade é justamente juntar estas duas questões: gênero e feminismo com ditaduras e todas as suas conseqüências e desdobramentos.

Organizado por Joana Maria Pedro e Cristina SCheibe Wolff.

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A Ordem do Progresso – Cem Anos de Política Econômica Republicana (1889-1989)

a ordem e progressoA primeira edição de A ordem do progresso foi publicada há quase um quarto de século, em comemoração ao centenário da República. Muitas crises tiveram de ser enfrentadas. Com a vitória da oposição, a transição em 2002-2003 revelou-se menos problemática do que se temia, com o Partido dos Trabalhadores abandonando às pressas os seus excessos mais impetuosos como o repúdio das dívidas interna e externa. Parecia que se assistia ao fim de ideias equivocadas em matéria de política econômica. Na esteira do mensalão, em 2004-05, o compromisso petista com políticas macroeconômicas prudentes começou a arrefecer. De fato, a partir de 2010, acumularam-se indícios claros de reversão das políticas que haviam sido estabelecidas na década de 1990 quanto à abertura comercial e ao papel do Estado na economia. Até mesmo o compromisso com a estabilização passou a ser relativizado. Esta nova edição pode ser vista como comemoração antecipada dos dois séculos do Brasil independente e contém artigos de Marcelo de Paiva Abreu, Dionísio Dias Carneiro, Gustavo Franco, Winston Fritsch, Luiz Aranha Correa do Lago, Eduardo Modiano, Luiz Orenstein, Demósthenes Madureira de Pinho Neto, André Lara Resende, Antonio Claudio Sochaczewski e Sérgio Besserman Vianna.

 

ABREU, M. P. (org.). A Ordem do Progresso – Cem Anos de Política Econômica Republicana (1889-1989)

A formação das almas – O imaginário da república no Brasil – José Murilo de Carvalho

a formação das almasO que dizem sobre a história de um país os monumentos erguidos em praça pública? Ou as bandeiras e hinos nacionais? Ou, ainda, caricaturas e charges tiradas das páginas de um jornal? José Murilo de Carvalho mostra, com a sensibilidade característica dos bons pesquisadores, como esse material pode ser de grande utilidade para se decifrar a mitologia e a simbologia de um sistema político.
Por meio de imagens, o autor nos oferece um curioso passeio pelo momento de implantação do regime republicano. Entre texto e ilustrações, aprendemos como os mitos de origem criados para a República, seus heróis, a bandeira verde-amarela e o nosso hino traduzem com fidelidade as batalhas travadas pela construção de um rosto para a República brasileira.

José Murilo de Carvalho – A formação das almas – O imaginário da república no Brasil

Sobrados e mucambos – Gilberto Freyre

download (1)Depois de analisar, em ‘Casa-grande & senzala’, a formação da família e da sociedade brasileira, Gilberto Freyre expõe em ‘Sobrados e mucambos’, toda a decadência do patriarcado rural entre os séculos XVIII e XIX que, enfraquecida com o declínio da escravidão e pressionada pelas forças da modernidade vindas do exterior, perde espaço, prestígio e poder. A aristocracia se vê obrigada a trocar as casas-grandes por sobrados urbanos, enquanto seus ex-escravos se alojam em casas de pau-a-pique nos bairros pobres da cidade.

FREYRE, Gilberto. Sobrados e Mucambos

D.Pedro I – Um Herói sem nenhum caráter – Isabel Lustosa

d-pedro-i-um-heroi-sem-nenhum-carater-col-perfis-brasileiros-isabel-lustosa-8535908072_300x300-PU6e7b8d17_1Em 7 de abril de 1831, após uma série de acontecimentos que o tinham levado a abdicar da Coroa brasileira, d. Pedro I era obrigado a deixar o Brasil. Ao longo da semana em que seu navio permaneceu no porto, ele se dedicou a cuidar de negócios, recebendo a bordo para essas operações corretores e comerciantes de má fama na corte, tratando pessoalmente com eles.
Causou espécie entre a oficialidade do Warspite, navio inglês que o acolhera, a avidez minuciosa com que o ex-imperador realizava transações, contas, avaliações, venda de títulos, venda de imóveis e até dos objetos mais banais, como selins e arreios de cavalos, mobílias,carruagens, roupas, quadros, louças e pratarias. Cuidava ele mesmo da contabilidade,arrolando tudo em inumeráveis folhas de papel nas quais se alinhavam parcelas e cálculos com o valor de todos os seus bens. Talvez por desconfiança, acompanhou pessoalmente o embarque de sua bagagem e andava pelos corredores do navio abraçado à caixa de um faqueiro
de prata que pretendia vender quando chegasse à Europa.

Isabel Lustosa – D. Pedro I – Um Heroi Sem Nenhum Carater

O Brasil não é longe daqui – Flora Sussekind

10186_gUma figura se delineia neste O Brasil não é longe daqui: a do narrador de ficção na literatura brasileira, surpreendido em movimento, durante seu processo de formação histórica, a partir das décadas de 1830 e 1840, nas seções de variedades e nos folhetins dos periódicos da época. Em meio a charadas, textos de divulgação científica, estampas de plantas e animais, pequenas biografias e casos curiosos, tal figura é enfocada sobretudo em diálogo com uma forma literária, o relato de viagem, e sua contraparte pictórica, as pranchas de desenhistas em trânsito, ambas mediadoras fundamentais da territorialização paisagística da imagem do Brasil e da figuração de um narrador-viajante que, mutante – ora cartógrafo, ora historiador, ora cronista -, daria as cartas na nossa prosa de ficção romântica.

Flora Sussekind – O Brasil Não É Longe Daqui